1# EDITORIAL 28.5.14

"A BAGUNA DO TRANSPORTE PBLICO BRASILEIRO"
Carlos Jos Marques, diretor editorial 

 insustentvel e sempre operou precariamente, para dizer o mnimo, o modelo de mobilidade urbana em vigor no Pas, que est a exigir urgente reformulao. O sistema de transporte pblico, principal artria do processo, foi colocado em xeque. J ficou claro que ele no atende sequer remotamente as necessidades nacionais. E vem gerando revolta, indignao e protestos de toda ordem. Rotineiramente a populao  tratada como gado em trens, metrs, nibus e nas improvisadas vans que circulam pelas ruas, quando no fica sem opo. Os espetculos de caos e inoperncia so to frequentes que os focos cada vez mais raros de bom funcionamento viram registro digno de nota. Lamentvel o estgio que o Brasil alcanou nesse quesito. O ex-presidente Lula, em mais um infeliz comentrio, chegou a dizer dias atrs, numa aluso a obras de mobilidade previstas e no concludas para a Copa, que  babaquice chegar de metr dentro de estdio. Alegou que quem quer ir aos jogos vai a p, vai de jumento, vai de qualquer coisa. O descaso das autoridades com o assunto mobilidade parece a regra e Lula deu apenas mais uma demonstrao nesse sentido. O problema decerto abrange, sem distino partidria ou de status de poder, as esferas municipal, estadual e federal. No Pas inteiro, em meados do ano passado, as manifestaes de rua e a mobilizao geral tiveram como estopim o aumento nas passagens de nibus. S as autoridades, ao que tudo indica, ainda no entenderam o quanto  importante para a sociedade desatar esse n do transporte. Deveriam aprender com a penosa experincia. A omisso de governantes, que no trazem sadas efetivas para a questo, parece a tnica, muito embora eles tratem do assunto a cada proximidade de eleio.  bandeira prioritria de campanha e de programa de gesto. Mas depois de eleitos deixam a promessa cair no vazio. Quando espocam crises, eles habitualmente partem para o jogo de empurra-empurra poltico, qualquer que seja o motivo: desde a revelao de esquemas de propina e desvio de recursos nos metrs da vida at a ao de baderneiros e deliquentes que, quando querem, param a malha de nibus e estrangulam as chances de locomoo dos usurios. O Brasil de dimenses continentais ainda no possui sequer um sistema ferrovirio  altura do nome. Imperam as falcatruas e a baguna de oportunistas, como voltou a acontecer na semana passada em So Paulo. Motoristas e cobradores sabotaram deliberadamente e com mtodos abominveis o direito de ir e vir dos paulistanos em nome de uma greve arbitrria, violenta e sem aviso prvio, s fuas de autoridades, que nada fizeram alm de reclamar. Um triste retrato da falncia do modelo.

